- Acordei com uma sensação engraçada... Fiquei acordando... Bom, não sei se estava ansioso, como minha mulher Renata falou. Acho que em pequenas coisas que eu estava um pouco diferente, nessa última semana.
Nascido em Niterói-RJ, o armador abriu caminho na Europa quando poucos, por lá, acreditavam que um brasileiro pudesse jogar na fortíssima liga alemã. Bruno, privilegiado no talento para o esporte, sim, mas também trabalhando muito além do estabelecido nos treinamentos – como todos os grandes campeões -, conquistou um espaço raro no handebol. E conquistou respeito não apenas como atleta, ao se dedicar também ao aprendizado da língua e da cultura de outros países.
Momento ideal
Fora da seleção desde a Olimpíada de Pequim-2008, o retorno se dá em um momento ideal para Bruno e também para a seleção brasileira, que nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro, briga pela medalha de ouro (e provavelmente será com a Argentina), que vale vaga à Olimpíada de Londres-2012.
- Foram dez anos fora do país, de 1999 a 2010, um período muito positivo como atleta, culturalmente. Mas abri mão de muita coisa. Sempre servi à seleção – estive em três Pans e duas Olimpíadas. Voltei ao Brasil e fiquei parado seis meses. Não conseguiria, em 15 dias, voltar à forma para o Mundial da Suécia, em janeiro deste ano.
"Leitura" do próprio corpo
Para o Pan de Guardalajara, diz, a situação é bem diferente – serão seis meses de preparação, lembra o jogador de 1,91 m e 92 kg.
- Sei o que poderei render, lá na frente. Física e tecnicamente. Acredito que possa me preparar, estar pronto em seis meses. Sei, por experiência, como estará meu corpo depois de dois meses de musculação. Muda.
Bruno diz que sempre se cuidou e ainda tem um “histórico bom” com relação a lesões.
- Nunca tive problema de joelho, por exemplo, como vários atletas de todos os esportes. Tive um no ombro, mas é “administrável”...
Além de tudo, agora volta a “ter energia para o esporte”, em suas palavras.
Manhã de praia com Luc
O retorno ao Brasil com a mulher Renata, designer de moda, e o filho Luc, nascido na França e que está com dois anos, foi muito mais por um “momento pessoal”, assinala Bruno, do que por falta de convites – tinha vários times interessados e poderia ficar pela Europa pelo menos mais três temporadas.
- Foram dez anos em que estive me doando demais para o esporte. Às vezes esperam muito de você. Então, eu queria ter um momento para mim.
Bruno, que tem irmãos no Rio de Janeiro, fala, por exemplo, como “curtiu” ir à praia pela manhã com o filho Luc nesses seis meses.
Fôlego retomado
- Voltei a ter energia para o esporte. Naturalmente, como tudo sempre foi. Tenho vontade de jogar pela seleção, eles têm vontade de contar comigo. São os dois lados. E, vivendo na Europa, na Alemanha, principalmente, aprendi a ter planejamento. Para o Pan de Guadalajara, sinto que posso ser útil. Tenho energia e tenho experiência.
O técnico espanhol Javier Cuesta conhece Bruno há anos, acompanhou sua evolução como atleta.
- Temos muito para ser trocado. Minhas histórias de vida são muito positivas e isso é muito legal.
Achando uma função
Além do momento de vida bom para o retorno à seleção, Bruno observa que também existe “todo um projeto” que passa pelo Pan, mas segue adiante.
- Essa experiência, vivência, todo o autoconhecimento que se adquire ajudam a “achar” sua função no grupo.
Bruno diz que retorna à seleção “igual à época em que tinha 17 anos”.
- Para provar que tenho uma função importante: posso ser referência - e também aprendi a lidar com isso. Sem vaidade, mas também sem me omitir.
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